Nesta época do ano é normal encontrar alguns cavalos mais inquietos com lesões na zona da crina e cauda.
Esta situação poderá dever-se a muitas afeções cutâneas tais como dermatites atópicas, dermatites por sarnas e outras afeções cutâneas.
Ao contrário das dermatites anteriormente mencionadas, a dermatite estival equina tem uma apresentação muito clara e apenas aparece numa determinada época do ano e desaparece no resto do ano.
O que é a Dermatite Estival Equina?
O cuidado da pelagem do cavalo representa uma parte importante do seu maneio. Isto acontece porque este órgão é o mais extenso do corpo e é uma barreira protetora importante contra as agressões, como por exemplo as radiações solares. Para além disso, o estado da pelagem é um reflexo externo da saúde do cavalo, indicando por exemplo o grau de desidratação.
A Dermatite Estival Equina resulta de uma hipersensibilidade do cavalo à picada de um tipo específico de mosquito que pertence ao gênero culicoide. Este tipo de dermatite tem uma sazonalidade muito marcada, uma vez que o mosquito necessita de humidade para se reproduzir, aparecendo no final da primavera, verão e início de outono. Se o clima for seco e frio as larvas de não se desenvolvem e consequentemente o cavalo não vai evidenciar sinais de hipersensibilidade.

A Dermatite Estival Equina acontece quando o mosquito pica, e introduz no organismo do cavalo uma proteína que o sistema imunitário reconhece como estranha. Reagindo, através da libertação exagerada de histamina, que origina prurido e rubor no local. Consoante a quantidade de histamina libertada e o grau de sensibilidade do cavalo à proteína da saliva do mosquito, podemos encontrar lesões de 2 a 3 mm até 20-40 cm.
O prurido provocado pela histamina faz com que o cavalo se morda, provocando lesões na pele que posteriormente podem originar alopécia, descamação e, de forma crónica, a hiperqueratose da zona afetada. Estas lesões podem-se complicar ao serem colonizadas por bactérias e resultar, em casos mais graves, numa infeção generalizada da pele.
As zonas mais frequentemente afetadas são a inserção da crina e da cauda. As lesões também se podem localizar na face, peito, ancas e região ventral do abdómen.
Em que cavalos podemos encontrar este tipo de dermatite?
Estudos demonstraram que a cor da pelagem e o sexo do cavalo não são condicionantes para que este sofra deste tipo de dermatite. Todas as raças são suscetíveis de sofrerem desta doença.
Contudo, existe predisposição genética individual e a idade mais frequente para o seu aparecimento varia entre os 2 e 4 anos de idade. Esta doença piora com os anos, e só após a segunda exposição à picada do mosquito é que o organismo reage de uma forma exagerada, e assim cada vez que o sistema imunitário enfrenta o alergénio, a libertação de histamina é maior e a reação cada vez mais exacerbada.
PREVENÇÃO DA DERMATITE ESTIVAL EQUINA
Para prevenir o aparecimento da Dermatite Equina Estival é fundamental controlar os insetos e evitar as picadas. O conhecimento das particularidades do habitat do mosquito e de como podemos proteger o nosso cavalo das picadas ajuda a impedir que este inseto chegue a entrar em contacto com o nosso cavalo. A prevenção da picada baseia-se na gestão das horas de estabulação, no isolamento apropriado do alojamento e nos métodos de prevenção aplicados ao próprio cavalo.
Uma boa gestão do maneio da permanência do nosso cavalo nos prados versus box é indispensável. Deve-se saber quando o cavalo pode estar no prado e quando não deve, evitando-se o anoitecer e por do sol, altura em que há mais carga de mosquitos.
Não obstante, mesmo que o cavalo esteja estabulado a essas horas do dia, na box também se podem encontrar mosquitos. Assim sendo, deve-se atuar no sentido de manter o alojamento do nosso cavalo o mais limpo possível, instalar redes mosquiteiras nas janelas e instalar ventiladores. A utilização de ventiladores pode ser muito útil porque as correntes de ar afastam os mosquitos e consequentemente diminuem a sua densidade populacional.
Recomenda-se sempre a pulverização das paredes dos estábulos com repelentes de insetos, devendo-se ter cuidado em não contaminar os bebedouros e comedouros, locais onde estes inseticidas poderão ser ingeridos pelo nosso cavalo.
Uma vez controlados os primeiros pontos de prevenção, chega o momento de aplicar ao nosso cavalo as medidas necessárias para evitar o contacto com o mosquito.
O uso de mantas finas e máscaras antimoscas vão evitar que o mosquito entre em contacto com cavalo e a sua eventual picada.

Suplementar a dieta com alho também é um bom remédio contra as incómodas moscas e mosquitos. O alho após ser absorvido pelo aparelho digestivo é excretado pelos poros da pele e repele os insetos com o seu odor. O Garlic Powder da TRM é um suplemento à base do alho formulado especialmente para cavalos para que a sua absorção e efeito sejam ótimos. Para além disso, o alho é conhecido pelos seus efeitos benéficos no sistema imunitário e circulatório.
Por último, o uso de repelentes de insetos nos cavalos é o método mais utilizado para evitar a picada do mosquito. Os repelentes em spray como o
Protect-14 são os mais utilizados devido à sua facilidade de aplicação e aos seus bons resultados.