//Principais Doenças Infeciosas Bacterianas

Principais Doenças Infeciosas Bacterianas

As doenças infeciosas na clínica equina ocorrem com maior frequência quando as medidas de prevenção não se realizam de uma forma adequada.

A vacinação, a higiene nas instalações e a deteção precoce da doença irá diminuir o aparecimento destas patologias nas nossas instalações.

PAPEIRA

A papeira é uma doença altamente contagiosa e muito comum na clínica equina. É causada pela bactéria Streptococcus Equi.

Caracteriza-se pela formação de abscessos (infeções encapsuladas) nos gânglios linfáticos do trato respiratório superior. Estes gânglios encontram-se na garganta.

Os animais infetados apresentam sintomas como depressão, perda de apetite e febre (39-41ᵒC). Com o avanço da doença e com o crescimento do abscesso, o animal irá mostrar dificuldade em engolir. Posteriormente irá ocorrer a rutura do abcesso e, após esta rutura, o material purulento irá sair para o exterior.

Em alguns surtos e numa pequena percentagem de casos, esses abcessos espalham-se para outras partes do corpo, que é denominado por papeira “bastarda”, que piora o prognóstico da patologia.

As bactérias são transmitidas por contato direto entre cavalos saudáveis e infetados. Também podem ser infetados pelo contato com fezes de cavalos que têm a doença de forma subclínica (sem sintomas), objetos que tiveram contato com animais infetados e até mesmo a roupa de pessoas em contato com esses animais.

A prevenção da doença baseia-se no isolamento do animal infetado assim que houver uma mínima de suspeita da doença. Isto ocorre porque a taxa de infeção é muito alta e o cavalo pode continuar a ser contagioso até 8 semanas após a rutura dos abcessos.

Assim que um cavalo é detetado com esta doença, é muito importante avisar o seu veterinário para começar o tratamento o quanto antes que se baseia na administração de antibióticos (depende da fase da doença) e anti-inflamatórios. Quando os abcessos ainda não foram abertos, podem ser aplicados cataplasmas quentes na área para incentivar a sua abertura.

TÉTANO

Esta doença é causada pela toxina produzida pela bactéria Clostridium tetanii que geralmente é encontrada no solo e no estrume.

A forma de obter o agente infecioso é geralmente devido à contaminação de uma ferida aberta. Esta bactéria não precisa de oxigénio e multiplica-se rapidamente nos tecidos danificados.

Uma vez que é introduzida no organismo do cavalo, a bactéria produz uma toxina que afeta o sistema nervoso do animal (neurotoxina). Esta doença é fatal em 50-75% dos casos.

Os sintomas gerados pela neurotoxina são rigidez muscular, sudação, espasmos, dificuldade de movimentação e às vezes dificuldade em comer. Esta rigidez fará com que o animal tenha a cauda levantada, protrusão da terceira pálpebra, espasmos faciais e o chamado “sorriso sardónico”. A hipersensibilidade ao ruído, à luz e ao movimento também é muito característica.

PROTRUSÃO DA TERCEIRA PÁLPEBRA

Em casos muito avançados, o cavalo pode entrar em colapso apresentando convulsões e morte por paralisia respiratória.

Os pontos-chave para a prevenção da doença são a vacinação e um bom maneio quanto à cicatrização das feridas.

No caso do cavalo apresentar uma ferida profunda, é necessário avisar o seu veterinário para avaliar a gravidade.

A vacina deve ser administrada ao animal desde poldro. A maioria das vacinas comerciais já inclui o tétano juntamente com a vacina contra a gripe. Portanto, a vacinação será a mesma. Uma primeira dose separada da segunda de 4 a 6 semanas e um reforço anual ou bianual.

Se o cavalo já possui sintomas, é de extrema importância avisar o veterinário responsável para iniciar o tratamento. Este tratamento é baseado no uso de antibióticos (penicilina), soro antitetânico, sedativos e relaxantes musculares.

Como medidas de maneio, iremos tentar que o cavalo se encontre o mais calmo possível. Ele irá tentar mover-se (se possível) ou adaptar-se à sua boxe, obtendo espaço livre de ruído, luz ou passagem de pessoas ou outros animais.

RHODOCOCCUS

A infeção com a bactéria Rodococcus equi é a causa mais grave de pneumonia em poldros de 1 a 4 meses. Não é a causa mais comum de doença respiratória em poldros mas é muito importante porque tem graves consequências devido à alta mortalidade e tratamento prolongado.

O aparecimento da doença é raro em poldros com mais de 8 meses de idade. Estudos clínicos mostraram que a infeção pulmonar origina-se na primeira semana de vida.

Pode ser transmitido através do contato direto com o patógeno que pode ser encontrado na água, areia e nos excrementos dos cavalos infetados.

A infeção ocorre de forma progressiva e os sintomas são difíceis de detetar até que a doença esteja numa fase avançada.

No início do processo, os poldros são febris, letárgicos, têm perda de apetite e aumentam a frequência respiratória. Num terço dos animais afetados podemos encontrar diarreia, tosse e secreção nasal.POLDRO COM DEPRESSÃO E LETARGIA

As lesões que ocorrem no nível pulmonar incluem broncopneumonia e linfadenite supurativa e a presença de abscessos pulmonares.

Também podemos encontrar uma menor percentagem de abscessos no intestino, fígado e rim e a presença de inflamação nas articulações.

Os poldros são animais muito sensíveis a qualquer patologia e qualquer processo patológico pode pôr em perigo a vida do animal. Assim que se suspeitar de um sinal de doença devemos chamar o nosso veterinário.

Como prevenção da doença iremos evitar a superlotação de animais e a má ventilação dos estábulos. Tentar desinfetar as instalações o máximo possível, especialmente se existiu um caso da doença, é muito necessário.

Mesmo assim, um diagnóstico precoce com isolamento precoce e tratamento dos animais infetados reduz a contaminação dos estábulos e a possível infeção dos futuros poldros que nascem nas instalações.

By | 2019-02-06T17:37:09+01:00 16 Março 2018|Sin categoría|0 Comments

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